
Costumo me perguntar como algumas bandas, filmes, pintores e pessoas não recebem a atenção que merecem. Na verdade, quem perde com isso não são os artistas - que continuam se expressando -, mas sim nós, que muitas vezes não temos acesso a essa expressão - problema em parte resolvido pela internet.
Antes da web, encontrar informações do mundo todo era um desafio. Para os amantes da música, em especial, significava horas em sebos, dinheiro em fanzines raros, procura incansável por revistas especializadas para, quase sempre, encontrar menos do que esperava ou precisava. A grande mídia era responsável por trazer as novidades ao público. Algumas vezes, artistas de qualidade, donos de estruturas sonoras complexas, conseguiam o apelo comercial para serem divulgados no mundo todo, como os Beatles, entre outros. Mas passar por esse crivo era pra poucos. Na maioria das vezes, bandas “incomuns” para a época não eram compreendidas e o público tinha dificuldade de conhecer novas produções, muitas vezes, melhores do que as que ditavam toda uma geração.
Tudo isso para indignar-se e elogiar os “The Zombies”, banda inglesa dos anos 60. Liderados pela voz melódica de Colin Blunstone e uma exurrada sonora de pianos rápidos, guitarras calmas e barulhos, muitas vezes indecifráveis, os cinco músicos criaram uma obra prima do rock em 1968 -, com o álbum “Odessey and Oracle”, que completa 40 anos, comemorados com uma turnê revivendo as músicas do disco.
Hoje, o cd é lembrando como um dos mais geniais e influentes daquela década e as melodias deliciosas e imagéticas, fazem parte de trilhas sonoras de incontáveis filmes. É só ouvir a atmosfera totalmente vanguardista para a época e a densidade musical criada pela banda no álbum para entender o porque. Todas a faixas são curtas, coesas e muito inspiradas. A base melódica nos vocais e a levada rápida do piano fazem todo o sentido com as guitarras agudas, mas sem exageros, de Paul Atkinson.
Os destaques ficam para única música de sucesso comercial do grupo “Time Of The Season”, uma faixa com um baixo vindo direto da soul músic e um vocal sensual e comedido, “Care of Cell 44″, um rock com melodias vocais inspiradoras - uma das mais lindas atuações que já ouvi, desbancando até as maravilhosas melodias do “Pet Sounds”, dos “Beach Boys” -, além de “A Rose for Emily”, retirada de um livro do escritor americano Willian Faulkner, e a melhor do disco, a bela “Hang Up On a Dream”, e seu piano tocante e sensível, capaz de roubar a sua atenção em todas as audições do álbum. Uma música inesquecível, como esse álbum, ainda pouco conhecido até hoje.

1 - “Care of Cell 44″ (Rod Argent) – 3:56
2 - “A Rose for Emily” (Argent) – 2:19
3 - “Maybe After He’s Gone” (Chris White) – 2:33
4 - “Beechwood Park” (White) – 2:43
5 - “Brief Candles” (White) – 3:30
6 - “Hung up on a Dream” (Argent) – 3:01
7 - “Changes” (White) – 3:19
8 - “I Want Her, She Wants Me” (Argent) – 2:51
9 - “This Will Be Our Year” (White) – 2:08
10 - “Butcher’s Tale (Western Front 1914)” (White) – 2:47
11 - “Friends of Mine” (White) – 2:17
12 - “Time of the Season” (Argent) – 3:33