Todo início de semana, vamos apresentar os artistas que mais subiram percentualmente no last.fm. É uma maneira eficaz de saber quais são os artistas do momento, mesmo que estejam gozando apenas de um reconhecimento efêmero.
Artistas em alta na semana de 24 a 31 de agosto
1) Lindstrom
Hans-Peter Lindstrøm é o norueguês que trouxe, à sua maneira, a disco music de volta a tona. Seguindo os passos de gente como Patrick Cowley, Lindstrom adicionou instrumentos de corda e muitos efeitos hipnóticos encima da base musical da disco. Inspirou a volta do rótulo space-disco ao nosso dia-dia, que não é novo, e encontra seus precursores na década de 70.
Porque está em alta: o motivo é intitulado de “Where You Go I Go Too”. Lançado no mês passado, o novo álbum de Lindstrom está sendo resenhado - e elogiado - a todo vapor na web.
O White Lies é uma banda inglesa de rock alternativo, com algumas referências eletrônicas. Formada em 2007, rapidamente conseguiram um contrato com a Fiction Records, que possui no cast Kate Nash e Yeah Yeah Yeahs, por exemplo.
Porque estão em alta:Além de lançarem o álbum de estréia este ano, tiveram a faixa “Death” remixada pelo Crystal Castles - o que gerou visibilidade para banda.
Porque está em alta: o álbum de estréia da cantora, chamado “Plenty”, está chamando à atenção na Polônia e, devido ao sucesso no país natal, começa a ganhar fãs que se espalham por todo o globo. Além disso, teve seu álbum lançado pela vertente polonesa da popular gravadora EMI.
Uma doce viagem por caminhos melódicos que percorrem o dub, o baleárico e a space disco. Intitulado Keep it Slow, o álbum pertence ao projeto suíço Low Motion Disco. Não coicidentemente foi lançado pela Eskimo, gravadora que possui em seu cast Lindstrom, Prins Thomas, Aeroplane, e outros colegas que abusam da melodia.
A primeira faixa do disco, após a obscura introdução, é excêntrica e original. “Born on the Low Wind” é curiosa o suficiente para carregar a missão de apresentar a sonoridade do projeto, com batidas espaçadas preenchidas por um som de água corrente e o balido de uma cabra - onomatopéia bastante presente no álbum todo. Exotismo puro.
Em “Things are Gonna Get Easier”, a influência dub aparece com força - numa faixa calma com um suave vocal nos avisando que “as coisas serão mais fáceis”. Um tecladinho minimalista ajuda a compor o clima de felicidade inspiradora. A faixa recebeu alguns remixes, incluindo o de Sébastien Tellier - francês que assina o álbum Sexuality, também de 2008.
Mostrando que aprenderam com os parceiros de selo, o Low Motion Disco solta seu lado space disco em “Talk Low when Space”, faixa que Lindstrom aceitaria pra sua discografia. Abusando de um instrumento de corda como base, a faixa se arrasta por seis minutos, sempre com uma chuva de efeitos, feitos por um teclado (ou apenas sons obscuros e pouco identificáveis), acompanhado por vocais ininteligíveis. “Love Love Love” traz novamente a sensação de ouvir space disco nórdico, principalmente a partir do terceiro minuto.
AÇÚCAR MELÓDICO QUE NÃO ENJOA
A quinta faixa, “Love Knows Low”, inicia com uma arrebatadora, lenta e bonita melodia, que progressivamente é preenchida com um tambor bastante destacado e uma linha de baixo bem grave e eletrônica. São quase quatro minutos de uma bela linha melódica, daquelas pra deixar no repeat sem enjoar.
“The Low Murderer is out at Night” é dona do momento mais explosivo do álbum, quando a calmaria construída novamente por instrumentos de corda passa a dividir espaço com uma linha de baixo grave, quebrada e elétrica. “Low Italian Dessert” interrompe ainda mais a calmaria, com uma sonoridade densa junto a um vocal repetitivo e grudento.
Fechando o álbum, temos a faixa título “Keep it Low”, que não é bem uma música, mas a gravação de uma criança falando em meio a um chiado numa tentativa de base musical bem apagada e descomprometida. As boas melodias e a originalidade fazem deste álbum um dos bons lançamentos de 2008. Os suíços mantém um blog, onde postam vídeos, boas mixtapes e repetem, insistentemente: “keep it low”.
Todo início de semana, vamos apresentar os artistas que mais subiram percentualmente no last.fm. É uma maneira eficaz de saber quais são os artistas do momento, mesmo que estejam gozando apenas de um reconhecimento efêmero.
Artistas em alta na semana de 03 a 10 de agosto
1) Anthony Green
Anthony Green é um jovem cantor nascido na Filadélfia e responsável pelo vocal da banda Circa Survive, que possui dois álbuns lançados: Juturna (2005) e On Letting Go (2007).
Porque está em alta: Green lançou seu primeiro álbum solo, intitulado “Avalon”, no último dia 5 de agosto. Como já fazia parte de uma banda com razoável destaque nos Estados Unidos, teve seu álbum anunciado por grandes revistas e, claro, na web.
2) Peter Fox
O alemão Peter Fox é um premiado compositor, arranjador, produtor e multi-instrumentista. Começou a estudar piano clássico aos 7 anos. Fox é reconhecido por seus trabalhos como arranjador e produtor de outros artistas.
Porque está em alta:Fox lançou clipe e single da música “Alles Neu”, que está fazendo sucesso, principalmente, entre os alemães. O vídeo já possui quase 450 mil views no YouTube, em menos de um mês.
3) Brian Eno & David Byrne
Eno e Byrne são responsáveis pela produção de três álbuns do Talking Heads, sem esquecer, é claro, que Byrne é o fundador da banda, uma das mais proeminentes do movimento new wave - que destacou-se no fim dos anos 70 e parte da década de 80. Além do trabalho no Talking Heads, já haviam assinado “My Life in the Bush of Ghosts“, de 1981.
Porque estão em alta: o duo prepara lançamento do segundo álbum para o próximo dia 18 de agosto. No último dia 4, eles diponibilizaram uma das faixas que vai compor o disco, “Strange Overtones” , que já está fazendo barulho e gerando espectativa.
O Pitchfork.tv disponibilizou ontem uma apresentação ao vivo do Cut Copy, onde é possível conferi-los no Studio B, em Nova York. O trio australiano é a grande sensação do momento no Reino Unido, e está desbancando artistas bem mais acostumados com a popularidade.
São nove músicas disponíveis para ouvir e assistir, que dão uma boa noção do clima do show do Cut Copy. Pelo playlist, podemos notar que é um apanhado de músicas dos dois discos do grupo: Bright Like Neon Love (2004) e In Ghost Colours - que foi lançado este ano.
Além da apresentação, o site disponibilizou uma entrevista com os australianos, onde eles falam, basicamente, da surpresa por estar encabeçando os charts do Reino Unido. Está em duas partes, vale conferir.
Conseguimos, antecipadamente, ter acesso ao álbum “Tenho uma Banda”, do Instiga, que será lançado dia 9 de agosto, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi Campinas. É, parece que deu certo chamá-los de “A melhor banda independente do Brasil”.
Brincadeiras a parte, clique abaixo e faça o download de todas as músicas do cd que será lançado no próximo sábado:
Começa amanhã, em Campinas, a terceira edição do festival Autorock. Até o dia 17 de agosto, a cidade receberá bandas conhecidas no cenário independente nacional, como Forgotten Boys, Colera, Rock Rocket e Garage Fuzz, e destaques da região, como Instiga, Venus Volts, Del-o-Max e Muzzarelas. Os shows acontecerão em diversos locais da cidade.
Veja abaixo a lista completa com data, local e horário das apresentações:
FESTIVAL AUTOROCK 2008
de 07 a 17 de agosto PROGRAMAÇÃO:
A união de dois dos maiores nomes do rock em uma música parece um sonho distante - John Lennon e George Harrison que o digam. As melodias perfeitas e as experimentações dos Beatles unidas com a sensibilidade e a voz cortante de Neil Young proporcionariam, certamente, a banda perfeita.
Infelizmente, os Beatles chegaram ao fim há quase 40 anos, e Neil Young fortaleceu a sua carreira na década de 70, quando a banda de Liverpool já não existia mais. Mas, nos últimos meses, a lenda canadense do rock resolveu incluir uma das grande músicas dos ingleses, “A Day In The Life”, no seu repertório de shows.
Escrita por John Lennon e Paul McCartney, com recortes de composições de cada um deles - ao contrário da maior das músicas dos Beatles, que não foram escritas Lennon/McCartney em dupla, como é colocado nos álbuns, por motivo de direitos autorais -, “A Day In The Life” cria uma parede sonora calma e cheia de experimentações que levam a faixa para diversos lugares em apenas 5 minutos, narrando um universo onírico de acontecimentos lidos em um jornal inglês e, de acordo com algumas interpretações, faz relação com o uso de drogas: “Found my way upstairs and had a smoke / Somebody spoke and I went into a dream” (Acomodei-me no andar de cima e acendi um cigarro, alguém falou e então entrei em um sono (transe)). Essa passagem seria uma referência explícita a uma “viagem” ocasionada pelo uso de droga (maconha).
Neil Young, como a maioria dos músicos do planeta, é um fã dos Beatles, e em uma leitura pessoal, posso relacionar o seu trabalho com o da banda inglesa comparando a sensibilidade e sinceridade nas composições e, principalmente, na densidade e influência que ele teve em uma década - Neil Young tem a melhor discografia dos anos 70, com pelo menos 7 álbuns considerados clássicos pela críticas especializada, assim como os Beatles dominaram a década de 60, mudando a música para sempre.
Relações a parte, a união - mesmo sendo apenas uma homenagem em shows - de artistas autorais e geniais como esses merece muita atenção e deve ser recordada como um momento especial na história do rock and roll.
John Coltrane sem dúvidas é um dos maiores artistas da história do jazz. Dono de uma extensa discografia como bandleader, além de inúmeras participações em trabalhos de outros artistas - Miles Davis e Thelonious Monk, principalmente. Contabilizando todos os álbuns - seja como mentor ou participante -, Coltrane tem na lista mais de 100 álbuns. Uma marca impressionante, que colocam-no como um dos mais prolíferos artistas do século XX.
Alguns álbuns de Coltrane são clássicos que ultrapassaram a barreira dos amantes de jazz, e atingem um sucesso de público e crítica acima do comum. “Blue Train”, “Giant Steps”, “My Favorte Things” e “A Love Supreme”, por exemplo, podem ser citados como obras que se enquadram nesse contexto.
Lançado em 1957, “Blue Train” é considerado o primeiro álbum solo, de fato, do saxofonista. E Coltrane já declarou numa entrevista concedida em 1960, que “Blue Train” é o álbum que mais lhe agravadava em sua discografia. Não é a toa. Com 5 faixas, o disco mostra um John Coltrane com espiríto inspirado e bem agitado. Apenas uma delas se diferencia ao estilo predominantemente inquieto do álbum: “I’m Old Fashioned”.
A faixa foi composta por Jerome Kern em 1942, especialmente para o musical “You Were Never Lovelier” - estrelado por Fred Astaire e Rita Hayworth -, e possui em sua gênese um espírito de elegância. Uma elegância minimalista que, interpretada por Coltrane, torna-se uma faixa absolutamente ecantadora - que fica no hall das melhores do saxofonista. O que, convenhamos, não é pouco.
Além disso, possui um dos trechos mais estupendos do jazz. A singela passagem do saxofone de John Coltrane para o piano de Kenny Drew entre 4:08 e 4:20 da faixa. É de uma beleza rara, que consegue de notas lentas fazer emergir um resultado arrebatador. Genial, genial.
Todo início de semana, vamos apresentar os artistas que mais subiram percentualmente no last.fm. É uma maneira eficaz de saber quais são os artistas do momento, mesmo que estejam gozando apenas de um reconhecimento efêmero.
Artistas em alta na semana de 20 a 27 de Julho
1) Conor Oberst
Oberst é um cantor americano que iniciou sua carreira com apenas 13 anos de idade, e logo no inicio foi classificado pela revista Rolling Stones como “menino gênio do rock”.
Porque está em alta: Conor Oberst lança oficialmente seu novo álbum no próximo dia 05, e está ganhando diversas resenhas positivas, incluindo da sua entusiasta: a Rolling Stones.
2) Meryl Streep
Meryl Streep cantando? Bem, isso não é muito comum. A atriz - que possui o maior número de indicações da história do Oscar - já havia participado de dois álbuns: a trilha do filme Silkwood; e uma coletânea de 1991, “For Our Children”, que além de Meryl, tem Bob Dylan, Paul McCartney, Little Richard, Brian Wilson, entre outros.
Porque está em alta:novamente graças a uma trilha sonora, Meryl interpretou algumas músicas do ABBA, no filme Mamma Mia - que é um tributo ao famoso grupo musical. O filme está entre os líderes da lista dos mais assistidos nos Estados Unidos.
3) Hans Zimmer & James Newton Howard
Novamente a dupla de produtores de trilhas para o cinema aparecem na lista dos artistas que mais cresceram. Zimmer e Howard, aparentemente, ainda vão pegar uma boa carona no sucesso de The Dark Knight.
Porque está em alta: The Dark Knight não parece perder fôlego ainda, e até arrancou o primeiro lugar de “O Poderoso Chefão” no top 250 do IMDB. Exagero? Sim, mas o filme dos irmãos Nolan merece parte da altura do pedestal onde está sendo colocado. Zimmer e Howard, produtores da trilha sonora do filme, agradecem.
É comum relacionar o synth-pop e o electro com sensações despretensiosas e divertidas - deliciosas, quando certeiras, é verdade. Essa “liberdade” fez muitas bandas surgirem como faísca e desaparecem na mesma velocidade. Aliás, a tão proclamada new rave teve seu auge e queda graças a esse sentimento de “vazio” deixado por muitas bandas, como o Klaxons, por exemplo, que apesar de não ter sumido, deveria.
Não existem regras na música. Uma composição não precisa ser densa e profunda para ser inesquecível. Ela precisa ser sincera, representar o sentimento dos seus artistas. Muitas vezes a diversão e a liberdade são suficiente para dar alma a uma faixa. A linha que separa a “honestidade musical”, da “picaretagem”, não é nada tênue. Músicas feitas para se encaixar em uma cena, para uma divulgação pessoal vazia, não duram mais do que um ou dois verões, ou não deveriam, novamente.
Uma música boa deve se assumir. Não ter medo de soar como ela é, seja qual for o seu caminho. O Cut Copy reconhece que o seu caminho não são músicas dramáticas e/ou vanguardista, mas sim o recorte de referências dos anos 80 com a revitalização do rock-eletrônico da década atual, e faz isso como nenhuma banda fez até hoje.
Neste novo álbum desse trio australiano, o “In Ghost Colours”, de 2008, a densidade da banda está na construções de atmosferas adaptáveis. As músicas do Cut Copy pulsam o tempo todo, são eletrizantes e empolgantes, mas também estão cheias de tensão, como se ainda existisse a dúvida de que eles queriam fazer canções apenas para dançar.
Essa dúvida só faz bem para o álbum. As músicas ganham dimensões e atingem você de diversas formas. Já no começo, cordas calmas recheando a base eletrônica harmônica e melódica - presente no cd inteiro - anunciam a doce e espetacular canção pop “Feel The Love”. A voz suave de Dan Whitford conversa com um vocoder, enquanto somos tomados por uma calma e satisfação sem fim a cada segundo da música. Um início de tirar o folêgo e ao mesmo tempo relaxante, que se estende com a dançante “Out There On The Ice”, e todo o seu clima “New Order” de diversão séria. É uma faixa imagética, lhe faz ir para o lado hedonista, de prazer e satisfação - impossível não balançar os pés e a cabeça de forma frenética, imaginando-se na cena mais sensual de uma única noite perfeita -, ao mesmo tempo que é sóbria, mantendo-se na mesma linha por vários minutos, sem exageros típicos de aventuras, quase que exigindo uma resposta para toda a espera cantada por Whithford. É um prazer calculado. Para completar o trio inicial inesquecível de “In Ghost Colours”, a electro-disco “Lights and Music” finalmente quebra essa tensão provocada pela dualidade das primeiras faixas e queima forte na pista de dança, no seu headphone, no seu carro, na sua cama, em qualquer lugar.
O impressionante é que o Cut Copy consegue manter as harmonias e melodias flutuantes do pop e os efeitos efervescentes dos sintetizadores por todo o álbum. Seja com a inspiradora “Unforgettable Season”, e seu vocal “Robert Smith”, inseguro e sexy, ou a hesitante e obscura “So Haunted”, uma canção que parece, finalmente, admitir que a banda lida com muitas pressões internas, mas que explode apoteoticamente no refrão, de forma redentora.
O caminhão de hits continua por todo o cd, com destaque para a forte “Heart On Fire”, e todas as suas mudanças de atmosfera durante 5 minutos hipnóticos, que te levam pra longe e te arrebatam como uma música deve fazer. A experiência acaba pertinentemente com a calmaria de “Eternety Only Night Only”, uma faixa impossível de ser analisada individualmente, já que soa como a sensação pós-catarse de sentimentos que é esse “In Ghost Colours”, do trio Dan Whitford, Tim Hoey e Mitchell Scott.
O Cut Copy fez um álbum para dançar, relaxar, incomodar e se arrepiar. É um triunfo. Mostra que a música eletrônica não é feita apenas de sintetizadores e efeitos de computadores - assim como o rock não é feito apenas pelas suas guitarras -, e sim de inspirações, de realizações e das inseguranças colocadas por seus artistas em cada composição.